- CUIABÁ
- SÁBADO, 22 , AGOSTO 2026
O Pix movimentou R$ 233,46 bilhões em Mato Grosso entre janeiro e julho de 2026, conforme dados do Banco Central analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT). O valor representa uma média de R$ 33,35 bilhões por mês e reforça a consolidação do sistema de pagamentos instantâneos na economia estadual.
Somente em julho, as transações realizadas por meio do Pix movimentaram R$ 36,92 bilhões no estado. O resultado representa um crescimento de 15,98% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram movimentados R$ 31,83 bilhões.
Na comparação anual, foram R$ 5,08 bilhões a mais movimentados pelo sistema em julho.
Para o presidente do Sistema Comércio de Mato Grosso, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, o avanço demonstra uma mudança nos hábitos de consumo e na forma como empresas e consumidores realizam suas transações financeiras.
“O crescimento da movimentação do Pix mostra como a digitalização já faz parte da rotina da economia e da população”, afirmou.
Segundo ele, a utilização de meios de pagamento mais rápidos e acessíveis também beneficia o comércio e o setor de serviços, ao facilitar as operações e proporcionar maior agilidade nas transações.
“O volume movimentado também acompanha a dinâmica de uma economia forte, que tem no comércio, nos serviços e no agronegócio importantes motores de atividade”, destacou.
Os dados analisados pela Fecomércio-MT, em parceria com a Fecomércio-SE, mostram uma trajetória de crescimento na movimentação do Pix ao longo dos primeiros sete meses de 2026. Fevereiro foi o único mês a registrar uma retração pontual, comportamento atribuído à sazonalidade típica do início do ano.
O maior volume do período foi registrado em abril, quando Mato Grosso movimentou R$ 37,81 bilhões por meio do sistema. O resultado representou crescimento de 19,02% em relação a março.
Para o economista Márcio Rocha, a evolução dos números reflete tanto fatores sazonais quanto o comportamento da economia mato-grossense.
“Os números mostram uma economia com forte capacidade de movimentação financeira”, avaliou.
Segundo o economista, o salto observado entre março e abril coincide com um período de maior intensidade nas operações ligadas ao agronegócio, incluindo comercialização e escoamento da produção, aquisição de insumos e outras atividades da cadeia produtiva.
Apesar da queda em relação ao pico de abril, julho manteve um patamar elevado, com quase R$ 37 bilhões movimentados.
A dinâmica econômica de Mato Grosso ajuda a explicar parte das oscilações observadas nas transações. Entre março e abril, o ciclo do agronegócio costuma impulsionar operações relacionadas à comercialização da safra, transporte, compra de insumos e liquidação financeira da produção.
Em abril, o volume de R$ 37,81 bilhões foi o maior registrado nos sete primeiros meses do ano.
Márcio Rocha, no entanto, ressalta que a movimentação do Pix não pode ser utilizada isoladamente como indicador de crescimento econômico.
“É importante observar que o Pix não deve ser analisado isoladamente como indicador de crescimento do PIB, porque movimentação financeira não é sinônimo de geração de riqueza. Entretanto, a evolução das transações é um termômetro interessante da intensidade dos fluxos financeiros e da crescente digitalização da economia”, explicou.
Outro período de forte movimentação costuma ocorrer no final do ano. Em dezembro de 2025, por exemplo, o Pix movimentou R$ 37,16 bilhões em Mato Grosso, aumento de 26,65% em relação a novembro.
O desempenho foi influenciado pela sazonalidade do período, marcada pelo pagamento do 13º salário, aumento do consumo das famílias e maior volume de vendas no comércio.
Sistema ganha espaço entre consumidores e empresas
O crescimento de quase 16% na movimentação do Pix entre julho de 2025 e julho de 2026 ocorre em um cenário no qual o sistema já está incorporado à rotina de consumidores e empresas.
Para Sebastião Gonçalves, a expansão reforça a necessidade de adaptação do setor empresarial às mudanças no comportamento dos consumidores.
“O consumidor está cada vez mais conectado e busca praticidade, velocidade e segurança nas suas compras. O comércio precisa acompanhar essa transformação. O Pix deixou de ser apenas uma alternativa de pagamento e passou a fazer parte da estratégia de relacionamento com o cliente e da operação dos negócios”, afirmou.
Entre abril e julho, todos os meses registraram movimentação superior a R$ 35 bilhões em Mato Grosso. O desempenho indica que as transações permaneceram em um nível elevado mesmo após o recorde registrado em abril.
Na avaliação de Márcio Rocha, a manutenção do ritmo de crescimento chama atenção porque ocorre depois da fase inicial de rápida adoção do sistema.
“O dado mais relevante talvez seja a capacidade de sustentação desse crescimento. O Pix já alcançou uma elevada penetração. Portanto, manter uma expansão de quase 16% em 12 meses indica que o instrumento continua ganhando relevância nos fluxos financeiros”, concluiu.
O Sistema Comércio em Mato Grosso é vinculado à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.