- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 27 , AGOSTO 2026
Câmeras de segurança registraram a mulher, identificada pela Polícia Civil como mãe da bebê encontrada morta em uma lixeira de Várzea Grande, leva a criança até o local onde a criança foi jogada, durante a madrugada de 23 de julho. As imagens foram divulgadas nesta quinta-feira (26).
Nos registros, a mulher aparece caminhando tranquilamente pelas áreas comuns do residencial carregando duas sacolas pretas de lixo. Em determinado momento, ela atravessa uma faixa de pedestres e segue em direção ao latão destinado ao descarte de resíduos.
Segundo a investigação, uma das sacolas carregava o corpo da bebê. A mulher deposita o material no recipiente e deixa o local. Horas depois, um trabalhador responsável pela coleta dos contêineres encontrou a criança dentro de uma caixa de papelão e acionou a Polícia Militar.
A identificação da suspeita ocorreu justamente a partir da análise das imagens do sistema de segurança. Inicialmente, segundo a Polícia Civil, ela negou envolvimento no caso, mas posteriormente admitiu ter realizado o descarte e afirmou ser a genitora da criança.
Parto aconteceu enquanto marido dormia
Durante coletiva realizada na tarde desta quinta, o delegado Rogério Gomes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a mulher relatou ter entrado em trabalho de parto durante a madrugada, enquanto o marido dormia.
Segundo a versão apresentada por ela, o nascimento ocorreu de maneira inesperada e, após perceber a situação, entrou em desespero. A investigada negou ter provocado um aborto ou utilizado qualquer substância para interromper a gestação.
Ela afirmou ainda que o filho que já possui estava na residência e que não queria que ele percebesse o que estava acontecendo. De acordo com o delegado, porém, a mulher não é mãe de primeira viagem.
O marido também prestou esclarecimentos à polícia. Conforme o delegado, ele afirmou que só tomou conhecimento do ocorrido posteriormente, quando a companheira compareceu à delegacia.
Bebê nasceu com vida, aponta perícia
A versão apresentada pela mulher de que a criança teria nascido morta foi contrariada pelo exame pericial. A necropsia apontou que a bebê nasceu com vida, embora tenha sobrevivido por pouco tempo.
A criança era do sexo feminino, tinha aproximadamente 26 semanas de gestação, o equivalente a cerca de seis meses, e pesava aproximadamente 750 gramas.
O delegado destacou que, considerando o estágio da gestação, a gravidez já apresentaria sinais físicos perceptíveis.
Segundo Rogério Gomes, a investigada cursa Enfermagem e, portanto, tinha conhecimento sobre aspectos relacionados à gestação. A polícia também apurou que vizinhos chegaram a suspeitar que ela estivesse grávida.
Investigada responderá em liberdade
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil deverá indiciar a mulher por homicídio e também apura a prática de aborto na forma tentada, conforme informado pelo delegado durante a coletiva.
Apesar da gravidade do caso, ela permanece em liberdade porque colaborou com as investigações e não foi presa em flagrante. A situação, entretanto, pode mudar no decorrer do processo.
O delegado ressaltou que o fato de a investigada estar solta atualmente não impede que uma prisão seja decretada posteriormente, caso surjam elementos que justifiquem a medida.
A Polícia Civil ainda deve concluir diligências e analisar os exames que integram a investigação para definir de forma definitiva as circunstâncias da morte da bebê e a responsabilização criminal da investigada.